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Silagem de milho colhida com colhedoras de forragem autopropelidas.

Atualizado: 19 de Set de 2019

Autores:

GUSTAVO SALVATI

GILSON DIAS JUNIOR

EUGÊNIO FARIA


O uso de colhedoras de forragem autopropelidas com rolos processadores de grãos tem-se tornado uma prática comum no Brasil devido à crescente disponibilidade de empresas prestadoras de serviços terceirizados, à necessidade do aumento da eficiência da utilização do amido, à janela de corte relativamente curta dos híbridos de milho, à oportunidade de colher a planta mais tardiamente (2/3 da linha do leite e 35 a 38% de matéria seca) e à necessidade de fibra longa como forma preventiva de evitar a acidose ruminal e obter longevidade em vacas leiteiras.

Além disso, a possibilidade de colher a silagem de milho com maior tamanho de partículas pode reduzir a necessidade de uma segunda fonte de fibra longa (fenos e pré secados), o que pode ser interessante do ponto de vista agronômico e financeiro no Brasil.


Figura 1. Silagem de milho colhida com colhedora autopropelida com plataforma de 6 metros. Fonte: GS Consultoria Rural.



Nutricionalmente, a silagem de milho é uma forragem rica em energia devido ao amido contido nos grãos. A colheita do milho com colhedoras de forragem autopropelidas com rolos processadores (em boas condições de manutenção) pode aumentar o grau de processamento dos grãos da forragem e também reduzir o impacto da presença da matriz proteica (prolaminas) que envolve os grânulos de amido, além de determinar o acesso de amilases de origem microbiana e do animal ao substrato, afetando a digestibilidade do amido no rúmen e no trato digestivo total.

O teor e o processamento do amido são importantes determinantes da qualidade nutricional da silagem, pois afetam a síntese de proteína microbiana no rúmen, o fluxo de energia para o animal, a produção de leite e de sólidos do leite. O teor e o grau de processamento da fibra em detergente neutro (FDN) também determinam o valor nutricional da silagem de milho. Silagens de alto valor nutritivo têm baixo teor de FDN (< 45% da matéria seca) e FDN de alta digestibilidade no trato digestivo total (> 40% da FDN consumida).

Silagens com maior tamanho de partículas são desejáveis por serem fonte de FDN fisicamente efetiva (FDNfe) capaz de estimular funções fisiológicas vitais em ruminantes, como motilidade ruminal, formação do mat (camada de fibra de baixa densidade que flutua no fluído ruminal), secreção de saliva e atividades de mastigação. Baixo teor de FDNfe na dieta induz acidose ruminal e reduz a saúde e a longevidade de vacas leiteiras, além de penalizar a produção de leite e de sólidos do leite.


Figura 2. Colhedora autopropelida com plataforma de 9 metros. Fonte: MouraMix Silagem.



No processamento da forragem de milho para ensilagem objetiva-se obter alta efetividade da fibra (Fibra longa; < 20% de partículas no Fundo do Separador de Partículas da Penn State) e alta digestibilidade do amido (Grãos processados; < 10 grãos intactos/500 g de silagem), plausível de se obter com colhedoras autopropelidas. Contudo, a maioria das fazendas brasileiras ainda depende de colhedoras tracionadas por trator, pois existem várias limitações operacionais para utilizar colhedoras autopropelidas, especialmente nas fazendas produtoras de leite.

Dentre as limitações operacionais temos a gestão do plantio e previsão de chegada da colhedora na fazenda, disponibilidade de colhedoras para colher áreas pequenas, logística para o rateio do custo do frete para o transporte da colhedora, topografia acidentada e presença de árvores nas áreas de cultivo, capacidade de fluxo de máquinas na fazenda, capacidade de descarga e compactação da massa ensilada, e outras.


Figura 3. Processamento da fração grãos e da fração fibrosa em silagem de milho colhida com colhedora autopropelida. Fonte: Reis da Silagem.




Recentemente empresas brasileiras lançaram no mercado colhedoras de forragem tracionadas por trator com rolos processadores de grãos. Isto representa um avanço na colheita de milho para silagem, principalmente para as fazendas que têm alguma limitação no uso de colhedoras autopropelidas. As colhedoras tracionadas por trator com rolos processadores, processam a fração fibrosa e a fração grãos de maneira satisfatória quando a planta é colhida precocemente (1/2 linha do leite e < 35% de matéria seca). Entretanto, o rendimento de colheita é baixo devido à presença dos rolos processadores e são máquinas que demandam tratores grandes, com potência do motor acima de 120 cv. Portanto, obter processamento adequado dos grãos, sem reduzir o tamanho de partícula da fibra, é um desafio no Brasil, já que na maioria das fazendas leiteiras a silagem é colhida com máquinas tracionadas por trator sem rolos processadores de grãos.

Neste caso, o alto grau de processamento dos grãos é normalmente obtido por redução do tamanho teórico de corte na colheita, o que reduz o teor de FDNfe na silagem. Outro fator que dificulta o dano dos grãos no Brasil é a predominância de híbridos de milho com endosperma duro, de baixa digestibilidade do amido no rúmen. Híbridos duros em estágio de maturação avançado são mais difíceis de terem os grãos danificados pela colhedora do que híbridos farináceos.

Do ponto de vista de colheita, não existe estudo prévio que demonstre a viabilidade econômica comparando colhedoras autopropelidas com rolos processadores de grãos com colhedoras tracionadas por trator com ou sem rolos processadores de grãos. Entretanto, vamos discutir um pouco destes números de maneira prática e empírica.

Nesta simulação, todos os cálculos foram feitos considerando 100% de serviços terceirizados e com preços de insumos, mão de obra e hora máquina baseados na região Sul de Minas Gerais. Vale ressaltar que os números podem ser diferentes para o produtor que já possui a colhedora na fazenda. Para efeito de comparação, foram considerados a mesma produtividade de matéria natural, o mesmo teor de matéria seca na colheita e o mesmo custo para produzir 1 hectare de milho (insumos e tratos culturais), a única diferença para compor o custo final por tonelada de matéria seca da silagem de milho foram os custos com as operações de colheita terceirizadas.

Foram utilizadas 6 tipos de colhedoras (tracionadas por trator de 1, 2, 3 linhas e área total e autopropelidas com plataformas de 6 e 9 metros). Os custos por hora das colhedoras autopropelidas e dos tratores para recepção e compactação da massa ensilada são mais altos do que as colhedoras tracionadas por trator, entretanto, o custo final por tonelada de matéria seca da silagem é menor (Tabela 1 e Figura 5).

A velocidade e o sistema de colheita das colhedoras autopropelidas são mais eficientes, permitindo a semeadura mais rápida de culturas sucessivas. Nesta simulação, as colhedoras tracionadas por trator gastaram em média 4,3 horas para colher 1 hectare (média das 4 colhedoras). As colhedoras autopropelidas gastaram em média 0,52 horas para colher 1 hectare (média das 2 colhedoras), portanto, o custo por hora das autopropelidas é maior, mas o custo por hectare é menor comparado com as colhedoras tracionadas por trator, além de todos os benefícios para os animais discutidos anteriormente em relação ao processamento dos grãos e da fração fibrosa.


Tabela 1. Comparativo do custo de produção de silagem de milho colhida com colhedoras de forragem tracionadas por trator ou colhedoras autopropelidas.



Figura 5. Comparativo do custo de produção (R$/tonelada de matéria seca) de silagem de milho colhida com colhedoras de forragem tracionadas por trator ou colhedoras autopropelidas.



As forragens colhidas adequadamente e com bom processamento podem reduzir custos, aumentar a produção de leite, os sólidos do leite e a saúde de vacas leiteiras e contribuir para maior competitividade de fazendas produtoras de leite com outros setores do agronegócio. Um aspecto importante a ser considerado é que para cada situação existe um tipo adequado de colheita e maquinários. O importante é conciliar bom rendimento, bom processamento e baixo custo da operação. 












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